Escrever um livro não é só contar uma história

Coisas que aprendi ao longo de onze anos de carreira

Quando comecei a publicar meus livros, isso lá em 2015, eu nem imaginava todos os processos que existem por trás de uma publicação. Na época recebi um convite de uma “editora” (sim, com aspas mesmo) e achei que não precisava me preocupar com mais nada (e estava muito enganada).

Mesmo quando você é publicado por uma editora famosa, como a Patuá, a Record, a Companhia das Letras, a ALT, o editor ainda conversa contigo e vai pedir algumas modificações, você acompanha todo o processo. O trabalho é feito em conjunto. Não existe isso de “mandei meu livro para a editora não é mais minha preocupação”. Com as editoras menores a coisa não é diferente (ou não deveria), o que muda é que você paga para ser publicado.

O problema é que nem todas fazem o processo corretamente, de revisar e retornar o material para você ver se está tudo certo, sugerir pequenas alterações que podem ajudar a melhorar o conteúdo, mandar a diagramação para sua aprovação… Esse foi o casso dessa “editora” em que caí lá em 2015. Assim, do jeito que mandei o conteúdo ele foi publicado, só mudaram o formato de A4 para 14×21.

O meu erro? Não ter lido o material, mesmo após publicado, para questionar a “editora” sobre isso.

Depois me arrisquei na publicação independente, mas ainda com essa visão do “minha parte é só escrever”. Tive uma revisora? Sem dúvida, mas ela também estava começando, ainda concluindo a faculdade de letras e trabalhamos com o sistema de permuta. O resultado disso é que muita coisa acabou passando. Tive muitas histórias boas, mas com uma revisão meia-boca.

O tempo passou, ambas fomos estudar mais sobre o mercado editorial, eu aprendi muita coisa, tanto que, do meu sexto livro em diante, corrigi e reeditei a história e, é nos últimos que vi a diferença. Quando parei de me apressar na publicação foi que tudo mudou.

Percebi que, no intervalo de colocar o ponto final no texto e da publicação existe um longo tempo no qual o texto descansa, passa pela minha revisão, vai para revisão profissional com edição de texto e leitura crítica com um prazo maior, vai para betagem, volta para mim para releitura, vai para diagramação (aqui fica comigo mesmo), volta para analisar o arquivo e a impressão teste e aí finalmente vai para a publicação. Nesse intervalo passou pelo menos uns 7 a 8 meses (às vezes 1 ano) e isso fez muita diferença para o conteúdo final, algo com mais qualidade para o leitor.

E foi aí que aprendi que escrever um livro vai muito além de contar uma história. Como escritora jardineira, enquanto somos apenas eu e o Word não preciso me preocupar muito, mas quando surge a ideia de publicar e oferecer essa história ao mundo, preciso olhar diferente para o texto concluído (e não dá para ser com o olhar de mãe para um filho).

É… Publicar um livro não é fácil! E que bom que a gente muda ao longo dos anos e não tem vergonha de reeditar os escritos mais antigos!

Uma resposta a “Escrever um livro não é só contar uma história”

  1. Depois do meu ebook ainda não concluí meu próximo livro, mas quero tentar publicar de forma independente. Pelo que já andei pesquisando são muitas etapas mesmo para ver o livro pronto, se queremos trabalhar com excelência. Realmente não é fácil, mas é algo que, sem dúvida, vale a pena.

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