Are you ok?

Uma crônica (divertida) da vida real.

Eu amo viajar. Sempre soube disso desde pequena, mas essa liberdade que viajar me causa só ficou mais clara depois que comecei a ganhar meu próprio dinheiro. É algo que preciso fazer de vez em quando, mesmo que seja para uma cidade mais perto de casa, sair da rotina, respirar novos ares.

Em 2025 não tenho do que reclamar. Minha primeira viagem foi em janeiro, para a praia (litoral paranaense) e mesmo sendo apenas um final de semana, eu vivi 10 dias em 1 e meio.

A segunda viagem teve um toque mais profissional, fui buscar meu Prêmio Melhores do Ano Letras Virtuais (fiquei em 3º lugar com “A Escritora em Crise” em Melhor Narrativa Longa), mas a Ana, uma amiga que também é escritora, e também ia receber o prêmio na categoria Melhor Narrativa Curta, propôs de irmos mais cedo e aproveitarmos um pouco Copacabana.

Sim, o local da premiação foi o Cine Joia, ali em Copa e eu, que só tinha ido ao Rio uma vez, em 2023, para a Bienal, e fiquei lá na Barra, conheci outra região da cidade maravilhosa.

Vale comentar que Copacabana é turística. 1000% turística. Então o que você mais encontra é turista.

Devo alertar você que está me lendo que essa foi uma viagem bem cheia de imprevistos, um verdadeiro teste de paciência e resiliência, mas foi divertidíssima a ponto de render essa crônica.

Saí sexta de Curitiba, com uma parada em São Paulo. Trabalhei normal e resolvi que ia de ônibus até o Aeroporto de Curitiba que, para quem não sabe, fica na cidade vizinha, em São José dos Pinhais. Saí cedo e sabia que seria tranquilo o trajeto, mas eu estava muito enganada.

Quando cheguei no Terminal do Boqueirão para pegar o ônibus Aeroporto/Boqueirão vi que tinha uma galera formando fila. Mas como para outro ônibus ali, que vai para o centro de São José dos Pinhais, então fiquei tranquila. Grande erro. Quando o meu ônibus chegou, por ter parada no Terminal Central de São José dos Pinhais antes de ir para o aeroporto, todo aquele povo subiu no ônibus. Só que assim, não rolava esperar o próximo, eu ia perder meu voo.

Ok. Dei um jeito. Eu, minha mala e minha mochila entramos e ficamos na porta, sem precisar se segurar ou se mexer. Juro que nunca implorei tanto ao universo para chegar logo num local. No Terminal Central realmente desceu quase o ônibus inteiro, eu tive que descer pra deixar a lata de sardinha esvaziar e aí subi novamente, rumo ao meu destino.

Como uma boa ansiosa, acendeu um primeiro sinal de alerta no meu cérebro. Já começou dando errado… Será que o avião vai cair e eu vou morrer? (Seja bem-vindo ao cérebro de um ansioso). Sacudi a cabeça para afastar esse pensamento negativo e caminhei no aeroporto em direção ao embarque, já que o ônibus nos deixa na área de desembarque.

Bom, eu sou uma Millennial, mas viajar com papel para mim é algo pré-histórico, ainda mais de avião. Sempre gero minha passagem no celular. Naquela sexta, por razões que o universo desconhece, assim que liberou o portão de embarque, eu baixei a passagem no aparelho. E que bom que fiz isso, porque quando chegou no aeroporto o app da Gol falava o seguinte “check-in não realizado”.

Pensei: “vou na sorte com o arquivo salvo no celular… se não passar, é um sinal para não viajar”. Passou tranquilo, não caí na revista aleatória e depois passou tranquilamente também para entrar no avião. Viagem de boas, fui lendo no meu Kindle de Curitiba até São Paulo, porque não tem mais Wi-Fi grátis no voo.

Cheguei, fui encontrar a Gabi, uma leitora com quem combinei a entrega de alguns livros meus, ficamos conversando até quase 22h e aí fui para a Rodoviária do Tietê encontrar a Ana, para finalmente irmos para o Rio de Janeiro.

Nosso ônibus estava previsto para 23h59, com chegada no Rio às 5h35 da manhã. Pois bem, atrasou exatas 2h. Saímos de SP eram quase 2h da manhã. A vantagem é que, além de termos conversado bastante com um pessoal que ia dormir na rodoviária para pegar o ônibus só no dia seguinte, rumo à Bahia, chegamos num horário mais tranquilo no Rio. 7h30 da manhã na rodoviária, 8h no hotel.

Aí até tentamos o check-in antecipado, mas o local estava lotado. Resolvemos então: vamos usar o guarda volumes, pagar o café da manhã e ir para a praia. Melhor decisão. Tomamos aquele café da manhã de hotel, trocamos de roupa no piso da piscina, guardamos as malas novamente e partiu praia.

A Ana me perguntou antes de sairmos: “você quer conhecer Drummond ou Clarice Lispector?” Como uma boa apoiadora de mulheres que escrevem falei: “Clarice, sem dúvida”. Então andamos até a praia do Leme (era pertinho, ok) para tirar foto com a estátua da Clarice.

Caminhamos tranquilas, tiramos a foto e decidimos andar mais um pedaço para ver o mar do alto. Eis que uma bicicleta me atropela. Ok, vamos ser menos dramáticas, bateu o guidão no meu braço esquerdo. Seria um lindo clichê de novela do Manoel Carlos, de livro, de dorama e afins se fosse um gringo lindo e aí a gente se olhasse e rolasse aquela paixão a primeira vista.

Mas não, eu não sirvo nem pra viver clichê (tô rindo, mas é de nervoso), porque era uma gringa que me atropelou. Eu e a Ana seguimos andando, porque, ok senti a pancada, mas não foi nada. A moça parou a bike: “Are you ok? Are you ok?”.

Gente, nessa hora, você, em outra cidade, é atropelada por uma bike. Não importar os cinco (sete) semestres de inglês que você fez. Você não lembra nem como dizer “yes, I’m ok”. A Ana que me perguntou se eu tava bem e então respondeu “yes yes, ok, ok”. Aí o meu cérebro funcionou e eu concordei “Yes, I’m ok”.

Pense no quanto a gente ria depois, dizendo exatamente o que comentei acima: nem para ser atropelada por um gringo bonitão kkkk

E sim, o meu braço ficou roxo, um roxo lindo e enorme. E agora dói um pouco quando dobro o braço, mas vou sobreviver haha

E esse é só o começo da viagem… Mas… Esse post tá longo! Em breve eu volto com a parte dois que provavelmente vai se chamar “virei um pimentão”.

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