Uma discussão apresentada pelo Tiago Valente a qual já tínhamos comentado brevemente.

Quando fui para a Feira do Livro de Foz do Iguaçu e fiz uma mesa com o Tiago Valente, nós aproveitamos um momento mais para o fim da feira para conversarmos um pouco. Um dos assuntos que caímos foi a questão de que a régua de exigência dos leitores está cada vez mais alta, que um autor não pode cometer o menor erro que já é crucificado, que escrever em linguagem muito coloquial é tido como errado, que um personagem muito fora da realidade pode fazer o livro ser julgado como ruim.
E, convenhamos, eu mesma recebi muitos “seus personagens têm uma maturidade que não condiz com a idade”, como se eu tivesse a obrigação de criar adultos infinitamente maduros, como se meus personagens não pudessem ter atitudes bobas porque isso iria contra a verossimilhança…
Bom, o que fez o Tiago refletir sobre isso, e trazer um vídeo bem legal no Insta e Tiktok, foi o Especial de Natal da Sabrina Carpenter, no qual acontecem muitas coisas non sense.
E aí ele trouxe isso para a literatura, com exemplos de livros em que os personagens fazem coisas sem sentido ou agem meio fora de sua idade e da realidade, o quanto a gente lia isso para se divertir, sem ficar nessa “comparação com a vida real”.
Eu mesma admito que voltei a ter gosto pela leitura ( lá na minha adolescência) com Desventuras em Série… E você quer história mais “sem pé nem cabeça” do que essa? Três crianças que ficam órfãs e estão sempre fugindo de um vilão muito do esquisito, sendo que uma dessas crianças é um bebê que parece ter mais maturidade e entender o mundo melhor do que eu?
Tenho minhas frustrações com o final (que hoje, adulta, eu amo), mas eu amava esse toque non sense, essa coisa fora da realidade e da lógica. E concordo com o Tiago, sinto falta de leituras assim, principalmente para o público jovem adulto. Uma história que até pode trazer uma reflexão, mas que vai fazer rir, personagens adultos nem tão maduros assim, que podem, sim, lembrar adolescentes…
Admito que, como autora, essa cobrança tão forte pela verossimilhança anda castrando minha criatividade. Dá medo de escrever algo e “olha lá, é amadora porque o personagem não pode ser assim na vida real”. “Sua personagem não pode não ter percebido tal situação, ela tinha que ter agido da maneira X, porque assim que seria na realidade”.
Vamos ser sinceros… É uma história. E tem horas que a gente só quer impactar, fazer rir, fazer chorar, sem ter muita lógica mesmo… Queremos fugir um pouco do mundo real e deixar a verossimilhança bem longe dali!
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