Saúde não é brincadeira

Um relato de uma escritora que descuidou da saúde e ficou quase um mês doente

O mês de setembro foi uma loucura para mim. Loucura boa, do jeito que eu gosto? Sem dúvida, mas me ensinou muito sobre cuidar da própria saúde e a importância da gente descansar.

Bom, isso vai soar engraçado, mas eu sou quase um Julius (de Todo Mundo Odeia o Cris) da vida real. Sim, eu tenho 3 empregos (acho que atualmente tenho 4). É redação publicitária, é diagramação, é curadoria da Bienal do Paraná e a escrita/venda dos meus livros.

Tô tão acostumada com essa vida, que levo desde o final de 2015, que nem me liguei que, por ser PJ, dona do próprio nariz (empresa) eu não tiro férias. Ah, mas e as viagens? Gente, quando eu viajo para as feiras eu só mudo o emprego kkk (risos de nervoso), não é férias! Sabe quando foi a última vez que viajei com o intuito de apenas descansar? Foi ano passado, quando fui pra Porto Alegre, e ainda assim não rolou apenas descansar porque eu tinha pendências do trabalho de redatora para entregar…

O que a gente não percebe quando faz o que gosta é que os anos passam, o corpo envelhece. A Stephanie de 25 anos tinha muito mais disposição que a de agora, com 35. Era um época que eu trabalhava o dia todo, fazia faculdade à noite e ainda tinha tempo para ficar no bar até meia-noite. Se eu cogito fazer isso hoje eu morro!

Mas vamos voltar a questão da saúde. Fui viajar no dia 10 de setembro, para a FLIM Maringá, depois emendaria Bienal de São Paulo e uma parada em Salto, para conversar com os alunos da E.E Paula Santos. Avião? Que nada, encarei tudo isso de ônibus mesmo.

A ida para Maringá foi tranquila, mas essa vida de “ar-condicionado – calor infernal” não deu muito certo para o meu corpo. Dormir com ar-condicionado ligado, então… Dia 11 foi tranquilo, curti piscina, passeei, fiz feira e vendi livros. Dia 12 acordei com o nariz incomodando, mas pensei: é só a minha alergia dando sinais de vida.

Fiz a feira, tomei remédios para diminuir os sintomas e embarquei num ônibus leito para São Paulo naquela noite. Dormi? Que nada, depois de velha fiquei fresca e cochilei por 3h porque meu corpo não aguentou. Cheguei em SP com dor de cabeça, olhos lacrimejantes e muita coriza. Gripe ou covid, sem dúvida, até hoje eu não sei qual dos dois eu tive, porque H1N1 também tá tendo sinusite como complicação.

Cheguei em São Paulo, tomei banho e depois um bom café para acordar e fui para a Bienal. Porque essa é a regra que eu me estipulei: não tenho tempo para ficar doente. Aguentei até 17h e voltei pro hotel, dale mais remédios porque a meta era acordar viva no meu aniversário, que seria que no dia seguinte.

Dia 14 levantei melhor, mas ainda ruim da gripe. Olho as fotos e me pergunto: como eu aguentei das 10h às 21h? Eu realmente queria chegar no estado que cheguei e sim, devia ter notado que o meu nariz sangrando e a presença de catarro diziam que algo não ia bem no meu corpo.

Domingo, dia 15, foi meu último dia em SP. Fui visitar a Tamara, do canal As 3 Artes. Admito que eu tinha dormido mal de sábado para domingo, mas, de novo a minha regra: eu não tenho tempo para ficar doente. Mais um dia de Bienal, livro esgotado (A Escritora em Crise) e partiu Salto.

Hoje, tanto eu quanto a Thaís, vemos que eu tinha que ter ido ao médico na segunda-feira. Porque eu tive o que chamamos de “saúde da doença”. Meu corpo deu a entender que eu melhorei. E da gripe realmente melhorei, mas veio a complicação: a sinusite.

Ainda brinco que eu desafio a morte, porque sobrevivi bem até sexta. Eu repetia mentalmente: terça, dia 24, em Curitiba, eu vou ao médico. O problema é que até dia 24 as bactérias tinham tomado conta de mim e tornado a minha sinusite num nível mega hard. Nem rolou Azitromicina, o clássico da sinusite, eu fui direto pro Clavulin. A maior dose, por 10 dias, 2 vezes ao dia.

E gente, que doença foi essa? Eu estava terminando o antibiótico e não via melhora sincera. De vez em quando ainda bate a dor de cabeça da sinusite, precisei de nebulização com soro fisiológico. E todo dia quando deitava a cabeça no travesseiro eu pensava: “o que eu fiz comigo? Como eu deixei as coisas chegarem nesse ponto?”

Caiu aquela ficha: eu negligenciei a minha saúde e tô cobrando demais de mim. Amo todos os meus quatro empregos? Sem dúvida, mas a gente precisa descansar também. Tenho tentado me cobrar menos, prestar mais atenção na minha alimentação e em como a dona ansiedade anda controlando o meu painel, se ando dormindo mesmo ou fico pensando em futuros que ainda não existem.

Agora eu decidi desacelerar um pouco. Abri mão de um evento no final desse mês, mesmo que, financeiramente falando, desse para ir tranquila. Viagens de livros? Acho que só mais uma em 2024, de resto, vou focar nos eventos locais, aqui em Curitiba mesmo.

Afinal… Não, não dá pra negligenciar a própria saúde. Até porque, morta eu não faço nada! Ok, pode ser que meus livros viralizem se eu morrer, mas vamos ser menos mórbidas nessa conversa e focar no autocuidado…

PS: Eu realmente me pergunto se ainda tenho fígado, porque passei quase 1 mês vivendo à base de remédios…

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