Eu não sou mais a autora cruel de alguns anos atrás…

Matar personagens era uma especialidade, mas agora estou sofrendo só de pensar na ideia.

uem me acompanha desde os primeiros livros, ou melhor, de “13 contos de amor ou não” para cá, sabe que eu nunca tive dó de matar personagens. Ao contrário, no “Diário da garota em crise”, nas palavras dos meus leitores, “dá medo de virar a próxima página e alguém morrer”.

E a coisa não para por aí, afinal, eu já tive coragem de matar uma protagonista, gerando um impacto e muitas lágrimas em quem acompanhou a história. Tanto que vocês não imaginam quantos áudios eu recebi de leitores com voz de choro dizendo: “precisava disso”? O famoso final surpreendente e inesperado!

Bom, hoje eu digo com toda a certeza: precisava e eu não faria diferente, mas de uns tempos para cá as coisas mudaram. O último personagem que matei (e que não merecia essa morte), foi em “Destinos Entrelaçados” (e eu não vou contar quem para não soltar spoiler). Desde então, se vou matar alguém é porque é um vilão ou foi uma morte natural, de velhice.

Então, aqui estou eu trabalhando no universo em crise (sim, seria um livro dois, onde vou contar a história de outra personagem e trazer a Stela, de “A escritora em crise”, de volta). Tem uma cena muito específica que precisa acontecer e é uma tragédia. Eu precisava matar um personagem que não é tão importante e não vai dar tempo para o público se apegar, mas… não consegui!

Ao contrário, pela manhã eu estava conversando com a Thaís Carolina (minha amiga e também autora) e comentei: “acho que essa morte não combina com um livro jovem adulto, vou traumatizar o leitor”. E sim, ela concordou comigo e ainda brincou: “essa morte seria algo abordado nos meus livros, voltados para o público adulto, no seu, você teria que destruir esse casal”.

Pois é, o coração de pedra aqui não consegue mais matar personagem. Eu passei a noite sofrendo como se eu fosse os personagens que iam viver essa perda. Então… ainda teremos uma parte trágica, mas desisti dessa morte. E sim, me sinto muito esquisita só podendo contar isso em códigos para não soltar spoiler.

O que será que aconteceu comigo? Será que a vontade de matar personagens lá em 2018/2019 era reflexo da depressão? Será que hoje eu entendo e me conecto melhor com as emoções das minhas personagens e percebo bem o que se encaixa no público jovem adulto? Ou eu só assumi a manteiga derretida que eu sou por dentro?

Foi mal, gente, eu só pareço insensível e coração de pedra… Afinal, meu sol é em virgem, meu ascendente é em aquário, mas minha lua é em peixes!

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