Como tudo começou…

Quando me perguntam como decidi virar escritora, eu paro e penso: “eu nunca decidi virar escritora, simplesmente aconteceu, sempre gostei de contar histórias”.

A verdade é que se eu fosse definir como tudo começou, precisaríamos voltar lá em 1995, nos meus 5 para 6 anos. Foi naquele ano que aprendi as primeiras letras e comecei a me arriscar em frases sem nexo. Em 1996, sabendo ler e escrever – lembro até hoje da cerimônia, com a música “Vamos Construir – Sandy e Júnior”, em comemoração a alfabetização da turma – comecei a anotar minhas histórias.

Qualquer papel que eu encontrasse, restos de cadernos antigos, papel rascunho do trabalho dos meus pais, era motivo para anotar a última brincadeira, ou seja, um mal de ser filha única.

Assim os anos foram passando. Em 2000, e aqui eu já tinha meus 10 anos, estreava no SBT uma novela chamada “O diário de Daniela”. A história me marcou tanto que criei minha própria Daniela para viver suas aventuras, tudo isso anotado em meus muitos diários e algumas vezes usando a máquina de escrever da minha mãe.

Como entrava na adolescência, meus pais me permitiram usar o computador. Sabe, naquela época a gente tinha que entrar na internet, usar discador e só podia usar nos finais de semana. Ainda assim, para mexer nos programas de edição, como o Word, Power Point e Excel, eu tinha livre acesso.

Assim, Steh adolescente agora tinha um local para digitar seus mundos, mas, é interessante ressaltar: eu não sabia escrever em formato de livros. Para mim, era muito fácil contar as histórias como se fossem um grande roteiro.

Dos 12 aos 14 anos cheguei a publicar algumas dessas histórias em blogs, mas, como gente ruim existe desde que o mundo é mundo, fui vítima do bullying virtual e desisti não uma, mas algumas vezes.

Algum tempo depois, no ensino médio, eu me apeguei muito a leitura e virei uma frequentadora assídua da biblioteca da escola. Lá conheci Artemis Fowl e Desventuras em Série. O segundo livro, por sua forma pessimista de narrativa, me chamou a atenção e eu decidi: quero contar um livro dessa mesma forma.

Então, em 2005, lá estava eu começando os textos de “Doce vida de Ana”, tudo com base lá naquela minha brincadeira de infância. Em muitos escreve-deleta, vestibular e toda a loucura de uma adolescente concluindo o ensino médio, só terminei esse conteúdo em 2007, já com 17 anos.

E aí vem a pergunta? Publicou? Claro que não! Eu sou da geração que acreditava que você só era escritor se fosse convidado para publicar seu livro por uma grande editora. Com isso, o manuscrito ficou alguns anos na gaveta.

Em 2009, cortei algumas coisas e participei de um concurso chamado Barco a Vapor. Em 2011, fiz uma impressão pela Bookess, apenas para ter um exemplar para chamar de meu e esse mesmo livro me rendeu bullying na segunda faculdade, vindo de uma adolescente de 17 anos (na época eu tinha 22).

Depois de toda aquela situação eu realmente pensei em desistir. Talvez ser escritora não fosse para mim (vamos mandar a real, ocasionalmente eu penso isso ainda hoje! Olá, Síndrome da Impostora!). Em 2014, resolvi deixar os livros no Clube de Autores. Nessa época eu já tinha a primeira versão de “Nada é por Acaso”.

Piada do universo, ou não, foi graças a esse meu arriscar que as coisas foram para frente. Recebi uma proposta de publicação com editora (ok, na época eu não sabia que era golpe), e, em 2015, recebia meus primeiros exemplares de “Doce Vida de Ana”. A partir daí tem muita água para rolar, mas vou deixar para um próximo post, ok?

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